A litografia
Foi por meio da litografia que Sisson desenvolveu seu trabalho artístico. Se trata de um processo de impressão inventado em 1796 por Alois Senefelder (1771 – 1834), dramaturgo da Bavária que buscava um meio econômico de imprimir suas obras.
Alois Senefelder, 1818. Litografia de Lorenz Quaglio
A invenção da litografia ocasionou uma verdadeira revolução nos meios artísticos do século XIX. A possibilidade de reprodução de imagens tanto na arte como na imprensa permitiu que um maior número de pessoas pudesse ter acesso as criações e fez com que a informação, ao assumir uma linguagem visual, se tornasse mais densa em conteúdo e forma. Este momento é hoje conhecido como “a era da reprodutibilidade técnica”.
A litografia é um processo de gravura em plano, cuja matriz é executada sobre pedra calcária porosa – a pedra litográfica. A pedra pode, também, ser substituída por uma placa de metal: zinco (zincografia) ou alumínio (algrafia).

O processo baseia-se no fenômeno de repulsão entre as substâncias graxas e a água. A impressão é feita através de um desenho executado sobre a matriz com um material gorduroso – o lápis litográfico – sendo a pedra ou a chapa molhada e em seguida entintada com uma tinta graxa que adere somente ao desenho. O papel umedecido é aplicado sobre a matriz e pressionado com uma prensa especial, para fazer a impressão final.
O filme “Goya’s Ghosts” apresenta lindamente o processo de impressão como era feito antigamente. Francisco de Goya (1746 – 1828) foi um dos artistas que utilizaram a litografia.
Sisson aprendeu o ofício com Rose – Joseph Lemercier, dono de uma oficina de impressão litográfica inaugurada em 1826 considerada uma das melhores em Paris.
Rose – Joseph Lemercier, Paris 1800-1857. Litografia de Achille Devéria
Lemercier era conhecido pelos novos processos e inovações técnicas que ele havia desenvolvido, incluindo um método de aspersão de lápis litográfico em pó sobre uma pedra quente para então trabalhar com um pincel ou um carimbo a fim de obter tons delicados para céu e água.
Interior da oficina litográfica de Lemercier
Os impressores alemães lideraram a litografia em cores e o impressor francês Godefroy Engelmann patenteou um processo chamado cromolitografia em 1837. A cromolitografia foi a mais importante técnica de impressão em cores até o surgimento da impressão offset.
Vista do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1862. Litografia de S. A. Sisson
A oficina litografica de Sisson fixou-se no Rio de Janeiro em diversos endereços no Centro da cidade tendo ele recebido em 1866 o título de Litógrafo Imperial.
Sua Majestade o Imperador atendendo ao que lhe representou S A Sisson, estabelecido com litografia a Rua da Assembléia número sessenta. Há por bem conceder-lhe licença para alçar as armas imperiais na frente do edifício de seu estabelecimento com a Legenda – Litógrafo e Desenhador [sic] da Casa Imperial [...]. Palácio do Rio de Janeiro em 12 de junho de 1866.
Referências Bibliográficas
- MEGGS, Philip B. e PURVIS, Alston W.; História da Design Gráfico. Cosac Naify, São Paulo, 2009.
- MENEZES, Paulo Roberto de Jesus; Sociedade, Imagem e Biografia na Litografia de Sebastião Sisson. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em História Social, PPGHIS) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2008.
- Iconofagia. Wikipédia.
- The Art of Destino. Collectors Editions.
- Auction 21 – Dorothy Sloan Rare Books.






